Caminhar...
Os trabalhos aqui apresentados fazem parte da experiência realizada a partir da disciplina cursada no Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp, no segundo semestre de 2010. A disciplina teve como tema “Epistemologia e Antropologia da Comunicação Visual — Arqueologia das Mídias — uma abordagem semiótica”, ministrada por Ernesto Boccara.
Ementa da disciplina
Como se constrói nosso saber, melhor dizendo, as ideias e representações que fazemos do chamado real? Com base nisso: 1) encarar a comunicação humana (a fotografia e o cinema, em especial) não mais e apenas como um ato mediático, mas como um fato cultural, uma instituição e um sistema social; 2) delinear, de forma concreta, algumas das constelações conceituais relativas à comunicação visual, tais como: observação; realidade/ficção; informação; contexto; aprendizagem; tipos e níveis de comunicação. Singularidades dos dispositivos comunicacionais.
Design e a convergência das mídias
Design e a convergencia das midias by labirintica
ACITÓIMES
A partir das imagens captadas durante o semestre, desde imagens e sons de exposições teórica das aulas, transitando pelo cotidiano da universidade e mais filmes projetados durante as aulas, realizamos uma seleção dessas imagens, com o acumulo e a fragmentação de pequenos episódios do processo criativo, o vídeo reinventa suas próprias imagens, em uma fragmentação de imagens já usadas em outros vídeos, sendo (re) significadas em outro contexto e outro formato que sofre interrupções e retomadas, re-significando e alterando o olhar para a narrativa
Este vídeo foi apresentado na disciplina Epistemologia e Antropologia da Comunicação Visual: Arqueologia das mídias - uma abordagem semiótica
Comentários do vídeo após a projeção
“O interessante é ver o que você faz com a teoria quando passa a observar o cotidiano a partir desse olhar, olhado pela teoria. Portanto, a construção de um significado que se dá a partir da teoria.
O que eu acho interessante é que você mostra o que se passa, quer dizer, sem desconsiderar o fato de que essa teoria pode nos permitir estabelecer uma ordem na nossa percepção, esse caos que, de alguma maneira, você vive como um ser perceptivo, esse percurso cotidiano da nossa existência. Então, buscar um sentido te dá uma certa ordem, porque o processo cognitivo aparece de alguma forma, e o signo é uma unidade elementar desse princípio de ordem.
Os signos, bilhões de signos, se interconectam para construir a significação de várias formas. Achei interessante o teu esforço de, dentro da teoria que aparece no espaço de aula, aparentemente bastante abstrata, imediatamente encontrar o rebatimento no teu cotidiano. Você tentou estabelecer essa relação.
Eu achei interessante porque, muitas vezes, bate, você consegue ilustrar através de alguns exemplos. De qualquer forma, pelos fluxos em que o pensamento flui, ele flui nos corpos individuais, para a formação de um corpo hipotético coletivo, o pensamento dominante, o pensamento que se incorpora em cada indivíduo como uma grande matriz, que os indivíduos passam a orientar sua vontade consciente de acordo com esse logos, com esse nexos, com esse fluxo contínuo do pensamento...”
“...Na materialidade dos ônibus, da estrada, dos sinais de trânsito, da música, dessa materialidade em que se estruturam os signos através de suas formas materiais, que são os significantes, para orientar nossa vontade individual dentro desse corpo coletivo, nós nos tornamos um corpo coletivo, que pressupõe que esse movimento todo seja harmônico, ordenado. Há uma ordem nesse movimento, e você, através dessa linguagem do vídeo, faz essa relação o tempo todo.
O curioso é como isso rebate em sua mente, como você interpretou isso, como você tentou encontrar, no teu cotidiano, esses elementos colocados abstratamente pela teoria. Foi isso que eu entendi, esse esforço.
É interessante porque a gente se vê, a gente vê o aluno, a gente vê a caneta, a voz da Silvia. A gente é recebido pela voz da Silvia, então a gente sabe: estamos aqui. Então a gente se reconhece.
Eu acho interessante, no final do curso, acontecer isso: a gente se vê...”
PASSAGENS LABIRÍNTICAS
Rizoma de um Caminhar
Resumo
Este texto surge a partir do processo de investigação e criação dos trabalhos realizados em vídeos, textos, fotos, áudios e hipertextos. O texto investiga o “caminhar da internet” e suas “linguagens”. Utilizamos como sustentação teórica as propostas de Peirce, segundo as quais “o significado de um signo é sempre outro signo”, transitando pelos conceitos de hipermídia pesquisados por Santaella.
O trabalho aborda as novas estruturas de criação e comunicação a partir da internet, buscando compreender como criar um processo de criação hipertextual a partir do contato e diálogo com o outro, sejam alunos, professores ou funcionários, e com o cotidiano da universidade, assim como aulas, palestras, seminários, apresentações artísticas e científicas.
O foco para esta investigação é a leitura e a prática das referências teóricas propostas pelas disciplinas, em diálogo com o cotidiano acadêmico. A proposta deste trabalho é reler a experiência dos trabalhos apresentados junto a este texto, em uma mídia DVD, contendo alguns vídeos do processo de construção dos trabalhos investigados na Unicamp.
Importa a este texto apresentar e discutir a criação e manutenção de um hipertexto.
A internet, criada como um projeto de estratégia militar, ficou durante muito tempo restrita a instituições de ensino e pesquisa. A internet teve como ideia inicial criar uma rede que fosse capaz de interligar pontos importantes, como centros de pesquisa e tecnologia ligados à estratégia de defesa.
A ideia de independência e autonomia, compartilhada por institutos de pesquisa acadêmica, guarda a ironia de ter-se transformado numa alternativa ao pensamento massificado dos meios de comunicação dominante na década de 1960, além da própria preocupação de salvaguardar informações, exercendo forte controle sobre elas, presentes na condução dos assuntos pelas vias militares. (BEKESAS, 2006:52)
Sua chegada ao mercado comercial se deu em 1960, quando seu acesso foi aberto a todos que tivessem os meios técnicos para o encontro: modem e linha telefônica. Em seu livro A Inteligência Coletiva: por uma antropologia do ciberespaço, Lévy fala que “não há identidade estável na informática porque os computadores são redes de interfaces abertas a novas conexões imprevisíveis que podem transformar radicalmente seu significado e uso”.
Segundo Lévy, o surgimento da internet conforme a conhecemos hoje surgiu:
“década de 80, apresentando, a partir de então, um crescimento surpreendente, não apenas em número de usuários, mas também em volume de informações disponível. O espírito dominante da internet é o de compartilhar a informação e divulgá-la e torná-la acessível a seus milhões de usuários. A evolução dos serviços prestados na internet também é um determinante de sua popularização. Estes serviços e aplicações da Internet chegam ao usuário através de provedores, estes provedores nada mais são do que computadores específicos que concentram uma grande quantidade de informação e possibilitam que outras máquinas o acessem e obtenham estas informações.” (LÉVY, 1998:12)
O norte para esta pesquisa será a investigação do hipertexto, presente em qualquer site da internet através dos hiperlinks, compostos por fragmentos de texto, imagens e sons interligados.
Considera-se Ted Nelson o inventor do termo hipertexto, no início dos anos 60, quando exprime o sonho de manter os pensamentos em sua estrutura multidimensional e não sequencial. O autor define:
“As ideias não precisam ser separadas nunca mais (...) Assim eu defino o termo hipertexto, simplesmente como escritas associadas não-sequenciais, conexões possíveis de se seguir, oportunidades de leitura em diferentes direções.” (apud. LEÃO, 1999:21)
Para Leão (1999:15), “o hipertexto é um documento digital composto por diferentes blocos de informações interconectadas, essas informações são amarradas por meio de elos associativos, os links, os links permitem que o usuário avance em sua leitura na ordem que desejar”.
Os hiperlinks são elos associativos, verdadeiras pontes entre diferentes espaços que, ao serem clicados, podem tanto aprofundar um determinado assunto como mostrar outros assuntos próximos e relacionados. Conforme Leão (1999:19), “os links do hipertexto possibilitam que um documento possa ser consultado de diversas maneiras, criando uma estrutura dinâmica, aberta”.
Santaella (2004:49) complementa:
“Em vez de um fluxo linear de texto como é próprio da linguagem verbal impressa, no livro particularmente, o hipertexto quebra essa linearidade em unidade ou módulos de informação, constituindo de partes ou fragmentos de textos.”
Por meio destes, a própria realidade, considerada aqui como a experiência simbólica e material dos indivíduos, pode ser inteiramente captada, já que se encontra imersa em uma composição de imagens virtuais.
Em seu livro Arqueologia do Saber, Foucault nos traz elementos que caracterizam as novas relações sociais nas quais estamos diariamente envolvidos, onde “fazer aparecer, em sua pureza, o espaço em que se desenvolvem os acontecimentos discursivos não é tentar restabelecê-lo em um isolamento que nada poderia superar; não é fechá-lo em si mesmo; é tornar-se livre para descrever, nele e fora dele, jogos de relações”.
As observações de Foucault nos apontam esse novo sujeito da modernidade, que tem a possibilidade de constituir-se a si mesmo, sendo autor de suas próprias histórias e encontrando nelas novos meios de percepção e relacionamento com o tempo e o espaço. Para Foucault:
“A história contínua é o correlato indispensável à função fundadora do sujeito: a garantia de que tudo que lhe escapou poderá ser devolvido; a certeza de que o tempo nada dispersará sem reconstituí-lo em uma unidade recomposta; a promessa de que o sujeito poderá, um dia — sob a forma da consciência histórica —, se apropriar, novamente, de todas essas coisas mantidas à distância pela diferença, restaurar seu domínio sobre elas e encontrar o que se pode chamar sua morada. Fazer da análise histórica o discurso contínuo, e fazer da consciência humana o sujeito originário de todo devir e de toda prática são as duas faces de um mesmo sistema de pensamento.” (FOUCAULT, 1997:14-15)
Essa crítica que o autor nos aponta, da exclusão dos sujeitos como criadores da história, decorre desse pensar sobre o conhecimento, que há tempos apenas uma pequena parcela da sociedade possui. Isso acarreta uma enorme exclusão social, aumenta a pobreza e gera desigualdades, o que resulta em uma extrema desagregação social, que atinge todos os níveis da sociedade no âmbito do sujeito, faz fervilharem todos os seus sentimentos e, ao mesmo tempo, cria um vazio que o deixa em completo abandono e solidão.
A tradição dos oprimidos nos ensina que o “estado de exceção” em que vivemos é, na verdade, a regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a essa verdade. Nesse momento, percebemos que nossa tarefa é originar um verdadeiro estado de exceção; com isso, nossa posição ficará mais forte na luta contra o fascismo. Este se beneficia da circunstância de que seus adversários o enfrentam em nome do progresso, considerado como uma norma histórica. O assombro com o fato de que os episódios que vivemos no século XX “ainda” sejam possíveis não é um assombro filosófico. Ele não gera nenhum conhecimento, a não ser o conhecimento de que a concepção de história da qual emana semelhante assombro é insustentável. (BENJAMIN, 1985:226)
Contudo, não há como deixar de reconhecer que o capitalismo e suas estruturas reproduzem a ruptura social com uma capacidade vertiginosa, dificultando até mesmo a compreensão do processo como um todo. O sujeito é a primeira vítima dessa história; ele, assim fragmentado e fragilizado, representa a vítima perfeita da exclusão social e, paradoxalmente, está pronto para reproduzir a mesma “desgraça” e desesperança que vive.
“Mais recentemente, quando as pesquisas da psicanálise, da linguística, da etnologia, descentraram o sujeito em relação às leis de seu desejo, às formas de sua linguagem, às regras de sua ação, ou aos jogos de seus discursos míticos ou fabulosos, quando ficou claro que o próprio homem, interrogado sobre o que era, não podia explicar sua sexualidade e seu inconsciente, as formas sistemáticas de sua língua ou a regularidade de suas ficções, novamente o tema de uma continuidade da história foi reativado: uma história que não seria escansão, mas devir; que não seria jogo de relações, mas dinamismo interno; que não seria forma, mas esforço incessante de uma consciência em se recompor e em tentar readquirir o domínio de si próprio.” (FOUCAULT, 1997:15)
Qual acesso ao conhecimento realmente temos? Os conhecimentos são submetidos às ideias? Quais ideias temos de nós mesmos? O pensamento emerge da matéria?
Dentro da ideia de pensamento, o materialismo tem uma grande força de liberdade, devido às bases materiais do ser humano, assim como plantar, colher e comer, as quais, ao longo de sua existência, o ser humano vem construindo.
Para Peirce (1931:55), “o pensamento é apenas um de tais sistemas e seu único motivo, ideia e função é produzir crença, pertencendo a outro sistema de relações tudo que não concerne a esse propósito”.
Esta crença que o autor coloca é construída através dos ideais que o ser humano vem alimentando ao longo de sua existência. Os fatos que ainda não aconteceram, tanto na base material quanto na imaterial, são os princípios para a locomoção, acarretando a mudança no ser humano em cada época.
Segundo Peirce (1931:56), a mudança no ser humano acontece através da crença, a qual se divide em três fases: a primeira, “é algo de que estamos cientes; segundo, aplaca a irritação da dúvida; e, terceiro, envolve o surgimento, em nossa natureza, de uma regra de ação, ou, digamos com brevidade, o surgimento de um hábito”.
A mente incorpora o objeto dentro de si, passando pela percepção. Após essa primeira percepção, ela é substituída por outra. Assim, para Peirce:
“Todo nosso conhecimento baseia-se em juízos perceptivos. Estes são necessariamente verídicos num grau maior ou menor conforme o esforço feito, mas não há significado em dizer-se que têm outra verdade que não veracidade, porquanto um juízo perceptivo nunca pode ser repetido.” (PEIRCE, 1931:206)
O pensamento está no fluxo das sensações que, através do corpo, vêm se manifestar. Para Peirce, “o pensamento está nas coisas”, no mundo da matéria; ele tenta encontrar situações de continuação da existência dos seres.
Para Bergson, “a matéria é um conjunto de imagens”. Assim, o corpo “é portanto, no conjunto do mundo material, uma imagem que atua como as outras imagens, recebendo e devolvendo movimento, com a única diferença, talvez, de que meu corpo parece escolher, em uma certa medida, a maneira de devolver o que recebe”.
Proposta
A criação da página hipermídia visa dar suporte tecnológico às pesquisas teóricas e práticas realizadas através de aulas, seminários, defesas de teses, festas e do cotidiano da universidade. As disciplinas cursadas serviram de base para a investigação e o diálogo com os trabalhos e temas pesquisados por alunos e professores.
O material hipertextual publicado é resultado do processo de investigação e criação realizado durante o semestre. A pesquisa tem como tema “Passagens Labirínticas”. Trata-se de um projeto de investigação que envolve a realização de vídeos, hipertextos, fotos, textos e músicas.
Os conteúdos a serem investigados e publicados no blog fazem parte da pesquisa desenvolvida a partir da disciplina “Epistemologia e Antropologia da Comunicação Visual — Arqueologia das Mídias — uma abordagem semiótica”, ministrada pelo Prof. Ernesto Boccara.
Foram levados em conta mapeamentos e trajetos realizados por alunos dentro e fora da universidade; pesquisas teóricas e práticas dos conteúdos investigados; debates; exposições; apresentações e histórias relacionadas aos temas abordados. Toda essa investigação foi construída tendo como base a elaboração da estrutura hipermídia.
Procuramos refletir sobre a ligação entre o processo de criação e o universo tecnológico no qual estamos atualmente inseridos. Publicamos vídeos, fotomontagens, áudios e textos do processo de criação, transitando por esses hibridismos de linguagens, pontuados por imagens e sons.
Com o acúmulo da investigação das imagens, textos e sons, exploramos as estruturas hipertextuais das páginas, seus enquadramentos e durações, cortes e cores. Utilizamos os conceitos propostos por Peirce na estrutura da página. Para o autor, um processo de significação de um signo é sempre outro signo.
Um signo, ou representâmen, é algo que, sob certo aspecto ou de algum modo, representa alguma coisa para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria na mente dessa pessoa um signo equivalente ou talvez um signo melhor desenvolvido. Ao signo, assim criado, denomino interpretante do primeiro signo. O signo representa alguma coisa, seu objeto. Representa esse objeto não em todos os seus aspectos, mas com referência a um tipo de ideia que eu, por vezes, denominei fundamento do representâmen. (PEIRCE, 1931:94)
A pesquisa explora todo um conjunto de linguagens interconectadas, cada qual com sua dinâmica de interação, desenvolvendo uma narrativa através da hibridização de linguagens e mídias, gerando a possibilidade de novos espaços de criação e comunicação.
Segundo Peirce (1931:47):
“Um signo pode ter mais de um objeto... Mas o conjunto dos objetos pode ser considerado como constituinte de um objeto complexo... os signos serão considerados como tendo cada um apenas um objeto... o signo representa o objeto ou conjunto de objetos que representa.”
Tentando entender esse pensamento dos signos, Santaella nos aponta:
“O dialogismo pierceano implica o signo entendido como processo, fluxo contínuo. Por isso, a linguagem não está em nós. Ao contrário, nós estamos no movimento da linguagem, no seu passado, presente e devir. Por estarmos na linguagem, nosso eu individual é necessariamente vago, sem contornos perfeitamente definidos. O que dá unidade e consistência ao individual é o signo que, por sua vez, é inalienavelmente social.” (SANTAELLA, 2004:170)
O signo age de forma virtual em nossas mentes. O que chamamos de pensamento — sua forma, cor, aparência etc. — não são signos no momento em que emitimos ações sobre eles. Para que o signo surta efeito, há de haver uma abertura em nossas percepções e em nosso entendimento do mundo.
A partir desses conceitos de Peirce, investigamos, nas páginas hipertextuais, as luzes e sombras; nos sons, a harmonia e os ruídos; nos textos, a linearidade e a não linearidade; e, no corpo das páginas, o equilíbrio e o cansaço.
Abrimos uma conta na página da internet www.google.com, criando um e-mail esferalabiríntica@gmail.com, o que possibilitou criar uma página hipermídia (blog) com o endereço www.labirintico.blogspot.com.
Gravamos textos de referências teóricas e aulas em áudio e os publicamos no site de hospedagem de áudio www.soundcloud.com. É possível acompanhar os assuntos abordados em áudio, assim como as aulas, apresentações e seminários. Postamos os vídeos no site de hospedagem de vídeo www.youtube.com.
Organizamos toda a criação de textos, fotos, vídeos, fotomontagens e áudios em uma estrutura hipertextual, sendo publicada no endereço www.labirintico.blogspot.com.
A página constitui um arquivo multimídia que, além de organizar e tornar público o processo de investigação e suas criações, possibilita participar, interagir, criticar, comentar e propor diretamente no blog ou nos links onde constarão as publicações.
A construção do blog visa à produção de conhecimento que auxilie a nortear a criação de linguagens interconectadas e, a partir desse diálogo, gere propostas de provocações, intervenções e criação, abrindo possibilidades de contato entre a teoria e a prática.
Para aqueles que acessarem o blog, sejam artistas, estudantes ou pesquisadores de música, teatro, vídeo e artes visuais, será possível, através da leitura dos textos e do acesso às fotos, áudios e vídeos, conhecer o trabalho e utilizar métodos, experiências e referências abordados e pesquisados.
Almeja-se, assim, em uma etapa futura, criar um repertório de procedimentos de ensaios, suportes de exibição e banco de dados, tornando-os disponíveis para estudos que busquem uma melhor compreensão de seu tempo e cultura.
Os conteúdos a serem publicados não se restringem apenas aos estudantes, pois trabalharemos com diversas outras linguagens. Assim, os visitantes das páginas poderão percorrê-las em busca de novas sensações e descobertas.
“Não mais representar o visível, mas tornar visível.” Paul Klee
“Mantiveram-nos durante muito tempo na alternativa: ou sereis indivíduos e pessoas, ou vos reunireis a um fundo anônimo e indifirençado.
Nos descobrimos, todavia, um mundo de singularidades
pré-individuais, impessoais.
Elas não se reduzem aos indivíduos e nem as pessoas, e nem a um fundo sem diferença. São singularidades móveis, ladras e voadoras, que passam de um a outro, que arrombam, que formam anarquias, que habitam um espaço nômade.”
(Gilles Deleuze)
Áudio - O universo é completamente indiferente ao homem. Por Ernesto Boccara
O universo é completamente indiferente ao homem. by labirintica
Em aula Bocara expõe alguns conceitos sobre significado
Bocara expõe alguns conceitos sobre Mente interpretante
Comentários após a projeção do vídeo — “ACITÓIMES”
“Nossa, o negócio parece que é sério, né? O pessoal está acreditando nessa história. E aí fiquei pensando: quem concede isso? Essa concessão é dada pela universidade, pelo respaldo que a universidade pública tem, respaldada, por exemplo, por livros, abstratos como esse, que a gente elabora, pelo discurso da teoria. Há um respaldo.
Você tentou construir esse ambiente assim, sólido: os prédios, os ônibus, o cara lavando o ônibus, toda essa estrutura para carregar as pessoas para a sala de aula, levá-las de volta para casa, estabelecer esse processo de construção de uma consciência, que é a matéria-prima da universidade.
A gente não produz alguma coisa concreta, a não ser a consciência, a possibilidade de levar as pessoas a outro nível de consciência, de auto-observação, de autoconsciência. Como eu já disse várias vezes para vocês, a ciência dos signos é extremamente sofisticada. Ela está tentando entender como o pensamento pensa, esse fluxo contínuo que está na nossa mente 24 horas e que, o tempo todo, tenta estabelecer uma ordem de significação desse caos perceptivo que a gente percebe.
A gente é um ser sensório mergulhado nesse universo de sinais, e a gente dá uma ordem. Precisamos dar uma ordem, porque essa é a maneira através da qual nós nos constituímos, não mais apenas como indivíduo, organismo animal, mas como sociedade, um grande corpo coletivo consciente.
Então, eu tive essa sensação quando vi as cenas do espaço da universidade. E dá o respaldo, garante que isso parece ser sério ou deve ser algo que se aproxima do sério, deve ser algo que tem a ver com a verdade, com os fatos. Estamos aqui seriamente envolvidos com o desejo de nos defrontarmos com a construção da consciência, com a forma como a consciência se constrói.
Isso é fundamental, porque muitas vezes o aluno não entende isso, não percebe que a nossa matéria, aqui entre aspas, não é um produto concreto: é a consciência.
O que significa ficar cinco anos? O que significa ficar dois anos e meio no mestrado, mais quatro anos no doutorado? Esse seu ir e vir, ir e vir, o que significa isso? Esse esforço, no fundo, no fundo, o que ele resulta?
Ele resulta em outro nível de consciência. Não temos um produto concreto. Temos as pesquisas, temos relatórios, enfim, mas o que sai disso? O que essa máquina toda produz?
Outro nível de consciência, na linguagem do cinema, na linguagem das artes plásticas, na linguagem da música, da dança.
Então, eu acho interessante. É a primeira vez que alguém faz esse retorno no final do curso. Muitas vezes o aluno se pergunta: por que a gente tem feito esses rituais no final do semestre, essas apresentações?
É uma devolutiva, em que o aluno mostra o seu trabalho, o seu processo, usando os recursos que a gente tem. Não precisa ser muito sofisticado; pode ser de uma maneira simples, com tua câmera na mão e o fio teórico estabelecido pela ciência dos signos.
Eu acho isso interessante, mostrando como isso bateu, como isso bate, atinge. Essa é a finalidade: despertar a importância.”
Trabalhos finais apresentados 02/09 dez 2010
Leituras do semestre
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e Política. Tradução Ed. Brasiliense. Ed. 1. São Paulo, 1985
BEKESAS, Wilson Roberto. Interface da notícia nos meios impresso e digital; Mestrado: PUCSP, 2006
FOULCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe baeta neves – 5. Ed. Rio de janeiro: Forense Universitária, 1997
LEAO, Lucia. O labirinto da Hipermídia: arquitetura e navegação no Ciberespaço. Ed. Iluminarias – São Paulo, 1999
LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva por uma antropologia do ciberespaço, São Paulo: Ed. Loyola, 1998
PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. Tradução Jose Teixeira Coelho Neto; Ed. Perspectiva São Paulo, 1977
___________________. Semiótica e Filosofia. Tradução Octanny da mota e Leônidas Hegenberg. Ed. Cultrux São Paulo, 1974
SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo – são Paulo: Palus, 2004




